Soberania Espacial: UE Lança Sistema Próprio de Satélites para Comunicações Seguras

Num passo decisivo para a autonomia estratégica do continente, a União Europeia oficializou esta semana o lançamento do seu programa de comunicações governamentais por satélite. Segundo as declarações do Comissário Europeu para a Defesa e o Espaço, Andrius Kubilius, a Europa dispõe agora de um sistema “seguro e encriptado”, desenhado para reduzir a dependência crítica de infraestruturas externas, como a rede Starlink de Elon Musk.

UE Comunicações Satélite Seguro IRIS2


A iniciativa, baseada no programa GOVSATCOM e na futura constelação IRIS², marca uma nova era na defesa e resiliência digital europeia, garantindo que os Estados-membros, incluindo Portugal, tenham acesso garantido a conectividade soberana para missões militares e governamentais.



1. GOVSATCOM: A Primeira Linha de Defesa

O programa GOVSATCOM (Governmental Satellite Communications) já se encontra operacional nesta fase inicial, integrando oito satélites provenientes de cinco Estados-membros diferentes.

  • Controlo Europeu: Ao contrário de serviços comerciais estrangeiros, este sistema é construído e operado na Europa, sob controlo direto das autoridades da União.
  • Segurança Reforçada: O sistema utiliza tecnologias de encriptação de última geração para proteger dados sensíveis de espionagem ou interferências eletromagnéticas.
  • Aplicações Críticas: O foco inicial reside no apoio a forças militares em teatros de operações, vigilância de fronteiras, gestão de crises humanitárias e proteção de infraestruturas críticas (como redes de energia e água).


2. IRIS²: A Resposta Europeia à Starlink

Embora o GOVSATCOM já forneça serviços essenciais, a visão a longo prazo da UE assenta na constelação IRIS² (Infrastructure for Resilience, Interconnectivity and Security by Satellite).

  • Constelação Multiórbita: O IRIS² não será apenas um sistema; será uma rede de cerca de 300 satélites operando em diferentes órbitas (LEO, MEO e GEO). Esta arquitetura garante baixa latência (velocidade de resposta rápida) e cobertura global.
  • Fim das “Zonas Mortas”: Um dos objetivos centrais é eliminar as falhas de cobertura de rede em toda a Europa e em regiões estratégicas como o Ártico e África.
  • Criptografia Quântica: A segurança destas comunicações será reforçada com tecnologia quântica, tornando-as virtualmente impossíveis de interceptar por métodos convencionais.


3. Impacto na Soberania Digital e Defesa

Para Andrius Kubilius, a concorrência é saudável, mas a dependência é perigosa. “Tínhamos o GPS americano, mas construímos o Galileo como uma versão melhor. Agora, estamos a fazer o mesmo com as comunicações”, sublinhou o Comissário.

SistemaOrigemObjetivo Principal
StarlinkEUA (Privado)Internet de banda larga global.
IRIS² / GOVSATCOMUE (Público-Privado)Conectividade soberana, segura e governamental.
GalileoUE (Público)Navegação e posicionamento de alta precisão.


A antecipação deste sistema é vista como uma peça fundamental na defesa europeia perante o aumento de ameaças híbridas e cibernéticas. O objetivo é que o sistema IRIS² esteja plenamente operacional até ao final da década, com os primeiros serviços comerciais e governamentais alargados a ficarem disponíveis já em 2029.



4. Portugal no Contexto Espacial Europeu

Portugal tem vindo a reforçar a sua posição no setor aeroespacial, com empresas nacionais a participarem ativamente no ecossistema da Agência Espacial Europeia (ESA). A utilização do sistema seguro da UE permitirá às autoridades portuguesas — desde a Proteção Civil até às Forças Armadas — manter comunicações resilientes mesmo em cenários de desastre natural ou falha total das redes terrestres.


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