Conflito no Cyberpunk 2077: O Fim do Mod VR e a Linha Ténue da Monetização em 2026
O universo dos mods de videojogos entrou em rota de colisão com os direitos de autor corporativos nesta terceira semana de janeiro de 2026. A CD Projekt Red (CDPR) emitiu um aviso de DMCA (Digital Millennium Copyright Act) contra o criador de um dos mods mais populares e tecnicamente impressionantes de Cyberpunk 2077: o modo de Realidade Virtual (VR).

A decisão da produtora polaca de remover o projeto das plataformas de partilha de ficheiros não foi uma questão de antipatia pela comunidade, mas sim uma defesa direta dos seus Termos de Serviço (ToS). O incidente levanta questões profundas sobre a propriedade intelectual, o papel do Patreon na indústria de jogos e a reação, por vezes extrema, da própria comunidade de jogadores.
1. O Ponto de Rutura: Gratuito vs. Pago
A política da CD Projekt Red relativamente a modificações feitas por fãs é considerada uma das mais liberais da indústria, desde que uma regra fundamental seja cumprida: os mods devem ser gratuitos.
O modder em questão, conhecido como LukeRoss, já era uma figura estabelecida no cenário, tendo desenvolvido soluções VR para títulos como Elden Ring e GTA V. No entanto, ao colocar o acesso ao mod de Cyberpunk 2077 exclusivamente atrás de uma “parede de pagamento” (paywall) no seu Patreon, o criador violou as diretrizes da CDPR.
- A Proposta da CDPR: Segundo relatórios recentes, a produtora terá tentado negociar com o modder, solicitando que a versão final do software fosse disponibilizada gratuitamente para todos os utilizadores, permitindo que as doações no Patreon fossem puramente voluntárias.
- A Recusa: O criador recusou a transição para o modelo gratuito, alegando que o tempo e os recursos investidos no desenvolvimento (que envolveram a criação de um motor de renderização de olhos alternados personalizado) justificavam a monetização direta.
2. DMCA e a Defesa da Propriedade Intelectual
O aviso de DMCA é uma ferramenta legal poderosa que força a remoção imediata de conteúdos que infrinjam direitos de autor. Ao utilizar o código de Cyberpunk 2077 para criar um produto comercial sem licença, o modder colocou-se numa posição vulnerável.
Analistas da indústria, incluindo vozes da Forbes, sublinham que este caso é diferente de outros onde empresas como a Nintendo removem projetos de fãs por puro excesso de zelo. Aqui, a CDPR defende um princípio de equidade: ninguém deve lucrar diretamente com a venda de componentes de um jogo que não lhe pertence.
| Perspetiva do Modder | Perspetiva da CD Projekt Red |
| Milhares de horas de engenharia inversa. | Utilização não autorizada de ativos proprietários. |
| O VR é uma funcionalidade que a CDPR não oferece. | Violação clara dos Termos de Serviço de mods. |
| Necessidade de sustento financeiro para continuar o projeto. | Proteção contra a criação de um mercado paralelo de DLCs pagos. |
3. A Reação Irónica da Comunidade: Pirataria como Castigo
Um dos aspetos mais bizarros deste caso é a reação dos próprios jogadores. Após o encerramento do Patreon por ordem da CDPR, o modder revelou que o seu software está agora a ser alvo de pirataria em massa — mas não da forma tradicional.
Muitos utilizadores estão a partilhar o mod gratuitamente em sites de torrents e fóruns de pirataria com o objetivo explícito de “castigar” o criador. A lógica dos utilizadores é que, se o modder não seguiu as regras da CDPR para o tornar gratuito, então a comunidade encarregar-se-á de o fazer. Esta dinâmica de “justiça vigilante” digital sublinha o ressentimento crescente contra a tendência de modders que cobram subscrições mensais por conteúdos de jogos AAA.
4. O Futuro do Modding em Cyberpunk e o Projeto Orion
Este incidente ocorre num momento em que a CD Projekt Red está a focar todos os seus recursos na sequela de Cyberpunk 2077, conhecida pelo nome de código Projeto Orion.
A empresa tem investido fortemente em ferramentas oficiais de modding (REDmod), esperando que a comunidade ajude a manter o jogo original vivo enquanto a sequela é desenvolvida. No entanto, este caso do mod VR serve de aviso: a liberdade criativa é total, mas a exploração comercial de IPs alheios continua a ser uma linha vermelha que as grandes produtoras não estão dispostas a deixar ultrapassar.



