Telecomunicações 2026: DIGI “Congela” Preços enquanto MEO, NOS e Vodafone Avançam com Aumentos
O início de 2026 está a marcar um ponto de viragem no setor das telecomunicações em Portugal. Enquanto as três operadoras históricas — MEO, NOS e Vodafone — confirmaram a atualização das suas grelhas tarifárias com base na inflação, a DIGI mantém-se fiel à sua estratégia de rutura, começando o ano com os preços inalterados.

Esta decisão da operadora de origem romena coloca uma pressão sem precedentes sobre o mercado nacional, tornando-se a única das quatro grandes a não pedir “mais um esforço” à carteira dos portugueses neste arranque de janeiro.
1. A Estratégia da DIGI: Estabilidade como Arma de Conquista
A DIGI, que consolidou a sua posição após a aquisição da Nowo, parece estar a usar o início de 2026 para reforçar a sua quota de mercado (que já atingia os 2,8% em meados de 2025).
- Preços Inalterados: Ao contrário da concorrência, a DIGI não aplicou a taxa de inflação aos seus contratos, mantendo ofertas de fibra de 1Gbps por valores que continuam a ser o benchmark de baixo custo no país.
- Barómetro de Preços: Dados recentes do Barómetro CNN Portugal revelam que assinar um novo contrato de telecomunicações tornou-se, em média, mais dispendioso em 2026, exceto na DIGI.
- Foco no Cliente: A operadora continua a apostar em contratos com fidelizações curtas (ou inexistentes em alguns serviços), contrastando com os 24 meses típicos do “trio” tradicional.
2. MEO, NOS e Vodafone: Os Aumentos de Janeiro
As operadoras tradicionais justificam os aumentos com os crescentes custos operacionais (energia e manutenção de rede) e a necessidade de continuar a investir na tecnologia 5G e fibra ótica.
| Operadora | Data de Início | Valor Médio do Aumento | Notas Importantes |
| Vodafone | 9 de janeiro | ~2,1% a 2,2% | Primeira a aplicar. Exclui novos contratos feitos após 11 de novembro. |
| NOS | 1 de fevereiro | Alinhado com IPC | Aplica-se a pacotes TV e móveis pós-pagos. |
| MEO | Janeiro 2026 | Alinhado com IPC | Marcas Uzo e Moche ficam de fora dos aumentos. |
O que diz a lei e a ANACOM?
Estes aumentos estão previstos nas cláusulas contratuais indexadas ao Índice de Preços do Consumidor (IPC). Segundo a ANACOM, como estas atualizações estão previstas no contrato, não constituem justa causa para rescisão sem custos, a menos que o aumento seja superior ao valor da inflação ou não esteja previsto no documento assinado.
3. Exceções: Quem escapa à subida de preços?
Nem todos os clientes das operadoras tradicionais vão pagar mais. Existem “portos seguros” que você deve conhecer:
- Novos Contratos: Contratos assinados ou renovados entre meados de novembro de 2025 e o final do ano estão, por norma, protegidos da primeira atualização de 2026.
- Submarcas Digitais: A Uzo e a Moche (MEO), bem como tarifários específicos como o Yorn Chill e o RED All In (Vodafone), mantêm os seus valores atuais.
- Pré-pagos: A maioria dos tarifários por carregamento não sofre alterações imediatas nas mensalidades ou semanas.
4. Veredicto: É altura de mudar?
Com a entrada da DIGI e a subida de preços nas restantes, o mercado nunca esteve tão dinâmico. Se a sua fidelização está a terminar, este é o momento ideal para comparar. Portugal continua a ser um dos países da UE com as comunicações mais caras, mas a resistência da DIGI em aumentar preços pode forçar uma nova vaga de promoções por parte da MEO, NOS e Vodafone para evitar a fuga de clientes.



